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Introdução ao espírito da Celebração
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Pe Arlindo Chaves Torres
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L'Osservatore Romano
Zenit- O mundo visto por Roma

Ascensão do Senhor
DIa MUndial Das comunicações sociais
20 de Maio de 2012
Introdução ao espírito da Celebração
A Solenidade da Ascensão de Jesus que hoje celebramos sugere que, no final de um caminho que Ele percorreu no amor e na doação, ensina-nos qual é a nossa a vida definitiva, em comunhão com Deus. Lembra-nos, também, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, os seus seguidores, que devemos continuar a realizar o projecto libertador de Deus para os homens e para o mundo.
Este mistério da vida de Jesus fala-nos da comunicação entre dois mundos: este, material, visível, e o sobrenatural.
Paulo VI, de saudosa memória, instituiu nesta solenidade, em 1966, o Dia Mundial das Comunicações Sociais.
Eles são como sabemos, muito abundantes: a imprensa, a rádio, a televisão, o telefone, a música gravada, a internet, etc.
O Santo Padre Bento XVI dirige-nos uma Mensagem, convidando-nos a reflectir sobre o modo como utilizamos estes Meios entre nós: «Silêncio e palavra: caminho de evangelização»
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6º Domingo de Páscoa
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Ascensão do Senhor
DIa MUndial Das comunicações sociais
20 de Maio de 2012
Liturgia da Palavra
Primeira Leitura
Actos 1, 1-11
1No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, desde o princípio 2até ao dia em que foi elevado ao Céu, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera. 3Foi também a eles que, depois da sua paixão, Se apresentou vivo com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes do reino de Deus. 4Um dia em que estava com eles à mesa, mandou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, «da Qual – disse Ele – Me ouvistes falar. 5Na verdade, João baptizou com água; vós, porém, sereis baptizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias». 6Aqueles que se tinham reunido começaram a perguntar: «Senhor, é agora que vais restaurar o reino de Israel?» 7Ele respondeu-lhes: «Não vos compete saber os tempos ou os momentos que o Pai determinou com a sua autoridade; 8mas recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e na Samaria e até aos confins da terra». 9Dito isto, elevou-Se à vista deles e uma nuvem escondeu-O a seus olhos. 10E estando de olhar fito no Céu, enquanto Jesus Se afastava, apresentaram-se-lhes dois homens vestidos de branco, 11que disseram: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o Céu? Esse Jesus, que do meio de vós foi elevado para o Céu, virá do mesmo modo que O vistes ir para o Céu».
Salmo Responsorial Sl 46 (47), 2-3.6-7.8-9 (R. 6)
Refrão:
Ergue-Se Deus, o Senhor,
em júbilo e ao som da trombeta.
Povos todos, batei palmas,
aclamai a Deus com brados de alegria,
porque o Senhor, o Altíssimo, é terrível,
o Rei soberano de toda a terra.
Deus subiu entre aclamações,
o Senhor subiu ao som da trombeta.
Cantai hinos a Deus, cantai,
cantai hinos ao nosso Rei, cantai.
Deus é Rei do universo:
cantai os hinos mais belos.
Deus reina sobre os povos,
Deus está sentado no seu trono sagrado.
Segunda Leitura
Efésios 1, 17-23
Irmãos: 17O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente 18e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da sua herança entre os santos 19e a incomensurável grandeza do seu poder para nós os crentes. Assim o mostra a eficácia da poderosa força 20que exerceu em Cristo, que Ele ressuscitou dos mortos e colocou à sua direita nos Céus, 21acima de todo o Principado, Poder, Virtude e Soberania, acima de todo o nome que é pronunciado, não só neste mundo, mas também no mundo que há-de vir. 22Tudo submeteu aos seus pés e pô-l’O acima de todas as coisas como Cabeça de toda a Igreja, 23que é o seu Corpo, a plenitude d’Aquele que preenche tudo em todos.
Aclamação ao Evangelho Mt 28, l9a.20b
Aleluia
Ide e ensinai todos os povos, diz o Senhor:
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos.
Evangelho
São Mateus 28, 16–20
Naquele tempo, 16os onze discípulos partiram para a Galileia, em direcção ao monte que Jesus lhes indicara. 17Quando O viram, adoraram–n'O; mas alguns ainda duvidaram. 18Jesus aproximou–Se e disse–lhes: «Todo o poder Me foi dado no Céu e na terra. 19Ide e ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20ensinando-as a cumprir tudo o que vos mandei. Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos».
Oração Universal
Irmãos e irmãs:
Elevemos a nossa oração ao Pai do Céu,
por Jesus Cristo que sobe às Alturas,
triunfando, assim, da morte e do pecado.
Apresentemos-Lhe com toda a confiança
Todas as necessidades da Igreja e do mundo.
Oremos (cantando):
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
1. Pelo Santo Padre, com os Bispos e Sacerdotes,
para que o Espírito Santo os fortaleça na missão,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
2. Pelos que trabalham na Comunicação Social,
para que o façam sempre com verdade e amor,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
3. Pelos que vivem escravizados pelos seus pecados,
para que encontrem no Senhor toda a liberdade,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
4. Por nós, que utilizamos a de Comunicação Social,
para que a usemos sempre como dom de Deus,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
5. Pelos que vivem na solidão e no desamparo,
para que a presença de Cristo e a nossa os ajude,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
6. Pelos fieis defuntos da nossa família e amizade,
para que o Senhor os leve a contemplar o Céu,
oremos, irmãos.
Dai-nos, Senhor, o Vosso Espírito Santo!
Senhor, que nos encheis de esperança
numa vida feliz que não mais tem fim:
concedei-nos a fortaleza e generosidade
que nos alcancem a felicidade eterna.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho,
na unidade do Espírito Santo.
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Sugestões para a Homilia
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Ascensão do Senhor
DIa MUndial Das comunicações sociais
20 de Maio de 2012
Sugestões para a homilia *
1. A 1ªleitura fala da Ascensão de Jesus em termos grandiosos. Os Actos são o único livro que fala das aparições de Jesus ressuscitado durante quarenta dias e que faz uma encenação da subida. O evangelho de S.Marcos fala da Ascensão em termos muito mais simples. Na 2ª leitura S.Paulo prefere acentuar a glória de Jesus e os seus efeitos em nós cristãos: a coragem e a alegria de ser discípulo de um vencedor absoluto.
2. Rigorosamente, a Ascensão de Jesus é a outra face da Páscoa.
No Credo fazemos as duas afirmações: que Jesus «ressuscitou dos mortos» e que «subiu ao céu, onde está sentado à direita do Pai». As duas faces são inseparáveis e simultâneas
Ao proclamar que Jesus «ressuscitou dos mortos», a Igreja quer acentuar a vitória de Jesus sobre a morte e o pecado, e a transformação do seu corpo histórico; ao proclamar a «ascensão aos céus», quer pôr em relevo a sua glorificação pelo Pai e marca o termo das aparições de Jesus ressuscitado.
3. O Santo Padre Bento XVI chama a atenção para a nuvem que aparece a ocultar Jesus na sua subida ao céu, dizendo que a nuvem foi, no Sinai, o sinal da presença de Deus no encontro com Moisés; foi, na Anunciação a Maria, o sinal da presença de Deus; foi, no monte Tabor, o sinal da presença de Deus; e é agora, na Ascensão, o sinal da presença contínua de Jesus ressuscitado na vida da Igreja.
A Ascensão de Jesus não é portanto, uma fuga de Jesus nem um abando dos seus Apóstolos. Pelo contrário, Jesus Inicia um novo modo de estar presente. Nos casos bíblicos citados, a nuvem revela e esconde, é uma presença real e discreta. Por isso, os Apóstolos desceram da Ascensão de Jesus «cheios de alegria» e não de tristeza, como parecia natural: é que eles tinham a certeza da presença contínua e activa de Jesus. É isso que Ele havia prometido: «eu estarei convosco, todos os dias, até ao fim do mundo».
4. A Igreja celebra neste dia o «Dia das Comunicações Sociais». Esses poderosos meios técnicos de comunicação devem ser usados como instrumentos de evangelização. São as novas estradas de circulação, e o próprio Papa recorre à Internet para apresentar em várias línguas as suas mensagens e discursos.
Há nesses meios graves perigos. Como nas grandes estradas do mundo, por eles circula o melhor e o pior. Dentro de casa, esses meios tomam conta das noites e dos dias, criam competição entre eles, banalizam as coisas mais sérias, são fonte de divertimento e de todo o tipo de publicidade.
Um dos grandes inconvenientes desses meios é o barulho que fazem noite e dia, as discussões inúteis sobre temas que a ninguém interessa, e a omissão de perguntas de verdadeiro interesse.
Na sua mensagem para este ano, o Papa chama a atenção para a necessidade de «Palavra e Silêncio». A palavra precisa de ser cruzada com o silêncio. Só o silêncio permite reflectir sobre os acontecimentos, ouvir as pessoas, saborear a Palavra de Deus, celebrar a fé, rezar. A própria música precisa de intervalos de silêncio para se captar a beleza da composição, e o diálogo humano carece desse cruzamento mútuo de palavra e silêncio. As celebrações litúrgicas são por vezes demasiado palavrosas,
Em nossas casas, moderemos o uso desses meios, demos prioridade à conversa de pais e filhos, fechando às vezes os meios de comunicação palavrosa.
A Missa vai prosseguir como modelo desse cruzamento de palavra e silêncio.
Fala o Santo Padre
MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 46º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
Domingo, 20 de Maio de 2012
«Silêncio e palavra: caminho de evangelização»
Amados irmãos e irmãs,
Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.
O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.
Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.
No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).
Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 30 de Setembro de 2010, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.
Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.
Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Const. dogm. Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.
Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de Setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.
Papa Bento XVI, Vaticano, 24 de Janeiro de 2012
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